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Quotes from Graciliano Ramos

Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo
~ Graciliano Ramos
Quando avisto essa cambada, encolho-me, colo-me às paredes como um rato assustado. Como um rato, exatamente.
~ Graciliano Ramos
He was stupid, yes; he had never had any schooling; he didn't know how to explain himself. Was he in jail because he doesn't know how to explain things right? What was wrong with his being stupid? He worked like a slave, day in and day out. [...] Was it his fault he was stupid? Who was to blame?
~ Graciliano Ramos
Someone in the women's cell was crying and cursing the fleas. Some whore probably, the kind that would take on anybody. She was no good either. Fabiano wanted to yell to the whole town, to the judge, the chief of police, the priest, and the tax collector, that nobody in there was worth a damn. He, the men squatting around the fire, the drunk, the woman with the fleas —they were all completely worthless, fit only to be hanged.
~ Graciliano Ramos
Remoeu umas coisas guturais e começou a roncar. Impossível qualquer aproximação. O isolamento em companhia de uma pessoa era mais opressivo que a solidão completa. Parecia-me que aquele homem estava morto.
~ Graciliano Ramos
numa terra de conformismo e usura, onde o funcionário se agarrava ao cargo como ostra, o comerciante e o industrial roíam sem pena o consumidor esbrugado, o operário se esfalfava à toa, o camponês aguentava todas as iniquidades, fatalista, sereno.
~ Graciliano Ramos
Cinquenta anos perdidos. Cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. Cinquenta anos, quantas horas inúteis… Estraguei a minha vida. Estraguei-a estupidamente.
~ Graciliano Ramos
Retirou-se. A humilhação atenuou-se pouco a pouco e morreu. Precisava entrar em casa, jantar, dormir. E precisava crescer, ficar tão grande como Fabiano, matar cabras a mão de pilão, trazer uma faca de ponta à cintura. Ia crescer, espichar-se numa cama de varas, fumar cigarros de palha, calçar sapatos de couro cru.
~ Graciliano Ramos
Quando fosse homem, caminharia assim, pesado, cambaio, importante, as rosetas das esporas tilintando. Saltaria no lombo de um cavalo brabo e voaria na catinga como pé de vento, levantando poeira. Ao regressar, apear-se-ia num pulo e andaria no pátio assim torto, de perneiras, gibão, guarda-peito e chapéu de couro com barbicacho. O menino mais velho e Baleia ficariam admirados.
~ Graciliano Ramos
Fabiano estava silencioso, olhando as imagens e as velas acesas, constrangido na roupa nova, o pescoço esticado, pisando em brasas. A multidão apertava-o mais que a roupa, embaraçava-o.
~ Graciliano Ramos